Cinco meses antes da destruição da Ariadne:
TRÍADE
O passado:
Entrou em operação durante a terceira guerra com os romulanos, em 2187. Esse cruzador leve foi destruído na famosa Batalha de Ramawk, em 2190. Bjo Trimble, a única a comandar a nave, é hoje reverenciada como uma das grandes estrategistas daqueles dias.
Lançada em 2215. Cruzador leve, foi a terceira nave a viajar à paralela 2. Nos primórdios da viagem interdimensional, se destacou sobremaneira – foi essa Ariadne a primeira nave a explorar as paralelas 4, 8, 15, 16, 23 e 42*. Durante os oitenta anos de sua vida útil, foi comandada por seis capitães, entre eles o lendário André Carneiro, o primeiro ser humano da paralela um a travar contato com a Terra Escura.
* Se é coincidência, ninguém o sabe – o fato é que esses números representam os seis fatores na Equação de Valenzetti. Evidentemente, não foram poucos – incluindo cientistas renomados – os que sugeriram a idéia de que tal “acaso” seria um indicativo de que a equação opera na totalidade do multiverso, podendo ser aplicada à humanidade de todas as Terras. Para mais detalhes, veja “Contagem regressiva para o fim dos possíveis mundos” e “Equação de Valenzetti” na Enciclopédia do Multiverso.
O presente – e o futuro:
Um dos milagres da moderna engenharia espacial. A construção da grande nave, quase toda ela realizada em órbita de Marte, durou mais de seis anos. Esse cruzador de batalha pesado possui cerca de nove milhões de toneladas de massa, mil oitocentos e quinze metros de comprimento e quatrocentos e dois metros de altura, casco de duranium e tritanium duplo, um sistema de suporte de vida apto a se manter operacional para até dez mil pessoas, além da capacidade de dobra 9,999 por setenta e duas horas seguidas. Seu sistema defensivo inclui quatorze bancos phaser tipo XII e seis lançadores de torpedos quânticos, três dianteiros e três traseiros.
Seu primeiro capitão, a vulcana T’Mari, assumiu o comando em 2366. Sua participação decisiva em diversos eventos notórios tornou a nave bastante conhecida do público em geral: a resolução da crise com o Império Andoriano; o primeiro e, até hoje, mais violento confronto com os borgs; o tenso contato com os Greys, conquistadores da Terra 393; o incidente em Oa 1279 e a difícil reaproximação com os Guardiões; a descoberta do primeiro monolito-sonda fora da paralela 2001…
Após quatro anos de missões bem sucedidas à frente da Ariadne, e outros trinta à frente da Argonaut e da Santos Dumont, T’Mari aceitou o almirantado.
Em 2370, Benjamin Sisko tornou-se o segundo capitão da Ariadne B. Já são oito anos – e Sisko é hoje considerado um dos maiores capitães na história da Frota. Entre suas missões mais famosas estão: o resgate da Enterprise D da paralela 103; a descoberta do primeiro proto-multiverso conceitual – um sistema de várias paralelas-informações estruturadas e mantidas pelos filamentos de mensagens intercambiáveis que as conectam; a destruição da ameaça conhecida como Universo Canibal; o antológico encontro com a NSEA Protector, a nave…
- Basta.
Ao som da voz ríspida, o documentário-verbete exibido no holovídeo desapareceu imediatamente. O almirante sorriu enquanto se levantava da cadeira e saía de trás da mesa de seu escritório, no Q.G. da Frota.
- Devia assistir a tudo – disse, mais em tom de brincadeira.
Khan Noonien Singh levou a sério e olhou para Flash Gordon com desdém.
- Não compartilho da idéia de que se precisa conhecer o inimigo. Esmague-o no momento certo, com rapidez e sem piedade – e pronto. Que cada um leve sua própria história ao túmulo.
- O momento certo há de chegar dentro em pouco… Creio que não teremos de esperar mais do que duas semanas. Mandei chamá-lo para adiantar alguma coisa – os procedimentos detalhados, você os terá em alguns dias.
Khan se inclinou para pegar uma miniatura da Ariadne B que estava sobre a mesa, junto a outros modelos – todos feitos em ouro e prata.
- Onde está Sisko agora? – perguntou, examinando o objeto sem demonstrar grande interesse.
- Ele passou os últimos vinte e cinco dias respondendo pelos resultados da missão na 666. A despeito de minha posição, muitos na Frota consideraram necessário abrir um inquérito para averiguar os fatos.
- Tudo muito cansativo, presumo. Sua Frota é um mar estagnado de normas e diretrizes, almirante.
- Como a Federação, um monstro burocrático, lento e incapaz de responder adequadamente aos grandes desafios que enfrentaremos no futuro. Você tem razão, Khan. E é por isso que iremos sacudir um pouco as coisas. Daremos aos nossos ineptos e obtusos líderes o gosto do verdadeiro terror.
- Impingir medo é sempre uma boa política – talvez, a única capaz de gerar efeitos satisfatórios.
- Precisamos nos defender do Ultradomínio. Precisamos destruir as ameaças que estão batendo em nossas portas.
Gordon caminhou até o grande quadro que adornava uma das paredes do escritório e o contemplou por alguns minutos. A pintura a óleo – sua única contribuição à decoração do ambiente – trazia a representação de um Cristo preso a uma galáxia em forma de cruz. Havia sangue em seu corpo, e o mesmo sangue também estava ao redor, como se brotasse das estrelas.
- Não existe vitória sem sacrifícios. Se o preço para salvar quatrilhões de seres conscientes é matar cinco mil pessoas, eu o faço sem pensar duas vezes. Maldição, eu mataria cem bilhões, se fosse preciso.
Khan riu alto, deixando que o som de sua gargalhada preenchesse o recinto. As maneiras rudes e os gestos bruscos davam a medida exata do homem que, embora já bastante castigado pelo tempo, não havia se dobrado às polidas máscaras que o social exige. Era um bárbaro, e orgulhava-se disso.
- O Ultradomínio veio a calhar. Foi o pretexto para se iniciar uma expurgação no multiverso.
- A purificação necessária para a nossa paz. Até agora, todas as missões foram bem sucedidas – as suas, extra-oficiais, e as que foram recém-aprovadas pelo Conselho. A que mais chegou perto de falhar foi exatamente a de Sisko.
- Felizmente, seu agente agiu a tempo.
- A sorte ajudou, sem dúvida. Não fosse pela instabilidade e fraqueza emocional de Thomas Anderson, o vulcano não teria como obter êxito. Seu controle telepático só surte efeito em indivíduos de intelecto limitado ou psicologicamente alquebrados. Foi apenas um “empurrãozinho”, é verdade – o suficiente para que o engenheiro tomasse coragem.
- Spock tem ciência do que o aguarda?
- Não. Há outros telepatas naquela nave. Mesmo com seu treinamento em bloqueios mentais, seria arriscado.
- Antes que desfiramos o golpe de misericórdia, e caso ele esteja vivo após o primeiro ataque, deseja que eu o resgate?
Gordon percorreu a cicatriz em sua face com um dedo. Fazia-o freqüentemente, como que para se lembrar de quem ele era. Do que era capaz.
- Discuti o assunto com meu grupo. Melhor as coisas como estão – deixemos que ele se vá com os outros. Que Spock seja mais uma das célebres vítimas do que todos pensarão ser a primeira ofensiva do Ultradomínio em nossa paralela.
- Entendo. Tudo perde seu prazo de validade.
- Provavelmente. O fato é que ele é bem famoso, e sua morte também produzirá um impacto considerável.
Khan devolveu a pequena Ariadne à mesa e pegou a Enterprise que lá estava.
- Pobre Spock. Já matei alguns, você sabe – mas as versões do vulcano nunca me fizeram qualquer mal. Eles simplesmente estão no lugar errado, na hora errada.
O almirante olhou para o velho mercenário de soslaio.
- A presença de um Kirk é de grande incentivo para você, imagino.
- É claro que sim. Assassinei oito deles – três dos quais, com minhas próprias mãos. Nada me dá mais prazer. Nada me é… – interrompeu-se ao perceber a expressão de náusea em Gordon. Limitou-se a um sorriso arrogante.
- Suas outras atividades não me interessam, Khan. O importante é que você faz bem o trabalho que lhe passo.
- Mas não é o suficiente para a limpeza que pretende, como não o são as recentes ações militares. Você pretende algo em grande escala… e mais duradouro.
- Não desejo ser refém da mudança de cabeças no governo. Porém, mais do que tudo, não quero ser vítima do espírito que tomou conta de nossas lideranças. Embora, nos últimos anos, a Frota e a Federação tenham se mostrado mais abertas às minhas idéias – por exemplo, as naves de robôs enviadas às missões mais polêmicas –, tal atitude apenas demonstra sua fraqueza e atesta sua incapacidade. Se alguma coisa vai contra seus ideais, eles viram o rosto – e deixam que nossos soldados de lata resolvam a questão. Pusilânimes e hipócritas, fazem crer que reinam no paraíso – mas as chamas do inferno já chamuscam suas roupas.
- Acha que obterá sucesso? – Khan se recostou em sua cadeira e olhou atentamente para o outro – Entendo que destruir uma de suas naves de robôs não teria tanta repercussão, mas por que não escolher um alvo civil? Decerto, isso despertaria maior fúria – e paranóia – no público.
- Você viu o documentário. A Ariadne é hoje o que a Enterprise foi há um século nesta paralela. Ela é um símbolo de poder, a síntese de tudo o que nos deixa orgulhosos de nós mesmos. Ela representa força, coragem, esperança no futuro. Acredite, nada terá mais impacto no coletivo do que a destruição da Ariadne através de um ataque traiçoeiro. Isso será minha garantia de que o futuro estará sob controle, de que as medidas necessárias para a proteção da Terra Um encontrarão caminho mais fácil para sua implementação.
O mercenário se ergueu, deixando a miniatura na mesa com displicência.
- Bom, não tem importância para mim. Tenho uma nova espaçonave, minha tripulação, meu pagamento… e mais uma cabeça de James Tiberius Kirk para minha coleção.
- Gostou da Scimitar?
- Oh, sim… Um brinquedo e tanto. Não é todo dia que se vê uma nave de guerra que dispara quando camuflada.
- Ela destruiu sem dificuldades a Enterprise E da paralela 19. Trata-se de uma peça orgulhosa de um Império Romulano muito mais forte do que o de qualquer outro universo conhecido. Foi mesmo sorte que os homens de minha organização a encontrassem à deriva, após uma das batalhas da segunda guerra Dominion daquela paralela. Surpreendentemente, estava em boas condições – seis meses bastaram para os reparos e melhorias que fizemos.
- Não é estranho encontrar uma nave abandonada em tão bom estado?
- Nada de misterioso nisso. Ela deve ter sido a única sobrevivente do combate – e quando já se preparava para retornar à sua base, um vazamento da radiação thalaron, com certeza provocado pelos vários impactos de torpedos inimigos, destruiu toda a vida a bordo.
- Cedo ou tarde, armas biogênicas se voltam contra quem as possui. Fizeram bem em substituir o canhão emissor de thalaron por disruptores tipo 3.
- Não somos tolos. Já os romulanos… eles se fascinam facilmente com o poder, gostam de ostentar sua força – e acabam pagando um preço alto por isso.
Khan pegou o ultrapassado comunicador que estava preso em seu cinto de couro.
- Quando a hora chegar, sabe como entrar em contato.
- Não até que Sisko complete sua próxima missão. Se tudo der certo, ele retornará à paralela um para se encontrar com a Einstein, a fim de entregar uma nova arma – e tão logo a Einstein a receba, você ataca.
- “Uma nova arma”?
- Nada de espetacular – Gordon procurou dar à voz o tom mais indiferente possível. Sentiu-se numa partida de pôquer – Não obstante, toda tecnologia ainda desconhecida para nós deve ser estudada com cuidado.
- A Einstein não é uma ameaça? E quanto à arma que estará em suas mãos?
- Uma pequena nave científica com cerca de sessenta tripulantes não é ameaça. A arma, presa a um inibidor de teletransporte, estará encerrada em um cofre de Pandora. Este poderá ser aberto somente pelo comandante em chefe da Frota – que, nesse momento, sou eu. E saiba que a presença da Einstein é fundamental: suas câmeras gravarão as imagens do massacre – e antes que a navezinha saia correndo com o rabo entre as pernas, seus canais de comunicação irão captar uma única palavra.
- “Ultradomínio”.
- Exato.
- Que divertido – Khan acionou o comunicador – Um para subir.
Tão logo o teletransporte, com seu zunido típico, se completou, a folha da única porta que dava acesso ao escritório deslizou para um lado. Um homem de uniforme negro, aparentando estar na faixa dos sessenta anos, se sentou na cadeira antes ocupada por Khan.
- Acha que podemos confiar nele? – Gordon perguntou ao recém-chegado.
- Khan era, a seu jeito, um grande homem. Após o efeito Genesis reconstituir seu corpo e sua mente, algo nele se perdeu – um senso de grandeza, de propósito, eu não sei. Caso contrário, fosse ele o mesmo de antes, Khan provavelmente estaria ocupando sua posição agora.
Gordon fez uma careta.
- Qualquer um teria sérios obstáculos para conseguir isso.
- De qualquer forma, ele continua sendo um guerreiro formidável. Então, respondendo à sua pergunta: sim, podemos confiar em Khan – mesmo com um Kirk a bordo da Ariadne. Já não se trata de alguém que se move por vingança; falamos, agora, de um caçador – e o melhor. Foi mesmo providencial que ele tenha sido resgatado pelas forças da Seção 31, há noventa anos. Como sua expectativa de vida cresceu bastante após Genesis, Khan continuará sendo uma ferramenta útil por muito tempo.
O almirante voltou a se sentar. Permaneceu quieto durante alguns segundos, encarando o outro.
- Desde que ele não saiba que você está vivo – disse.
- Sim. Seria uma pena matá-lo.
Os olhos de Gordon se estreitaram.
- E você? Tem certeza de que não perdeu nada em Genesis, como nosso amigo?
O homem sorriu.
- Sabe que não sei dizer ao certo? Talvez eu fosse um antes de Kruge me matar – e passei a ser outro após o efeito Genesis me trazer de volta à vida. Talvez… mas tenho andado tão ocupado desde então que nunca penso a respeito. Você sabe, estar à frente de uma organização secreta é tarefa complicada e solitária – ainda mais para alguém considerado morto por quase todos os seus contemporâneos.
- Estar “morto” é condição sine qua non para assumir a direção da Seção 31.
- Não estou reclamando.
O homem percorreu com os olhos as miniaturas sobre a mesa – e se deteve na última nave a carregar o nome Enterprise na paralela um. Sua Enterprise… James Kirk desviou rapidamente o olhar.
- Sou grato ao fato de que também foram os agentes da 31 a me acharem primeiro. E mais grato ainda por terem teletransportado Kruge para o núcleo de Genesis.
Kirk e Gordon tentaram se controlar, mas acabaram rindo.
- Klingon bastardo! – disseram juntos, relembrando da mesma expressão que repetiam sempre que tocavam no assunto.
- E como está seu filho? – perguntou o almirante assim que conseguiu refrear a galhofa.
- Não o vejo há muito tempo – mas você sabe como ele é. Um ano após renascer em Genesis, o rapaz ainda estava por lá, examinando o lugar. Depois que o planeta finalmente explodiu, ele desapareceu por quatro décadas – posteriormente, eu soube que David passou todo esse tempo debruçado sobre o estudo das implicações da Zona Fantasma. Sabe-se lá onde estará agora…
- Não sente falta dele?
- Como já disse, estou sempre ocupado. Não penso sobre meu filho, os amigos ausentes, os amores perdidos. Como você, sou um homem de ação – como tal, não me dou ao luxo de sentir.
Mais uma vez, Gordon passou a mão em sua cicatriz. Queria que fosse assim, tão simples. Mesmo que tentasse, não conseguiria deixar de pensar em Dale… na falta que ela fazia em sua vida. Fora Dale Arden quem o impedira, nos velhos tempos, de se tornar tão sombrio quanto aqueles que combatia. Desde que ela se fora…
Desde que você a matou, quando a encontrou na cama de seu pior inimigo… Primeiro, devagar e em silêncio, colocou as mãos no pescoço da mulher – e ela não ofereceu qualquer resistência, como se acreditasse que, a qualquer momento, você fosse voltar atrás.
Mas você não voltou. Suas mãos continuaram a apertar, ódio e ira entrelaçados sobre a carne frágil, até que a vida a abandonou. O último suspiro de Dale foi quase uma nota de assombro.
Depois, foi a vez de Ming – o qual, para sua satisfação, se debateu durante vários minutos. Engraçado pensar nisso, mas você jamais o mataria por qualquer outro motivo. Que ele destruísse sua Terra, que impusesse a tirania a todos os planetas habitados da galáxia… não seria tão ruim. Não seria tão medonho quanto destruir o mundo encantado que você e Dale compartilhavam.
Mais tarde, foi fácil alegar que o déspota de Mongo assassinara sua mulher e estava prestes a atacar a Cidade Alada. E se ninguém acreditou, ninguém também estava disposto a contradizê-lo. Ming não era mais um problema, e isso bastava.
- Seu amigo vulcano será um dos sacrifícios que nosso futuro exige. Não sente nada sobre isso também?
A resposta veio rápida, sem hesitação:
- Spock sabe que estou vivo desde que o chamamos para fazer parte da Seção 31, há dois anos. Revelamos a ele a ameaça do Ultradomínio – e sua conclusão lógica foi a de que os fins justificam nossos meios. Entre outras coisas, Spock aprendeu a mentir sobre minha morte. E ele compreendeu que nenhum sacrifício seria grande demais, tendo em vista o que enfrentamos.
“Então, não há o que sentir ou lamentar. Como você deu a entender há pouco, tudo é matemática: se é necessário matar dez pessoas agora para preservar a vida de mil no futuro, nós o fazemos. Não é bonito, mas é justo – porque, no final, haverá mais vivos do que mortos. E que a história, se um dia souber de toda a verdade, nos julgue da melhor maneira possível”.
O almirante apontou para o Cristo emoldurado na parede.
- Você vê o homem na cruz… mas você não pode ver os soldados romanos. No entanto, se não fosse por eles, se não fosse pelo Império que eles representavam, qual teria sido seu legado? Se não houvessem derramado seu sangue, suas palavras teriam obtido o mesmo impacto?
“Não se enxergue como um dos mocinhos, Kirk. Somos os vilões, os execráveis que verterão o sangue dos inocentes e os condenarão à morte – a história jamais diria algo diferente sobre nós.
“A questão é: a segurança e a sobrevivência de tudo o que conhecemos requerem que assumamos o posto dos malditos, e que nossos atos sejam os mais abjetos e covardes. Como você disse… é necessário. A Frota e a Federação estão muito satisfeitas com a ilusão de que controlam alguma coisa – ambas as instituições se transformaram, ao longo do tempo, em linhas tortuosas que não conseguem mais ligar dois pontos. A Seção 31 é a linha reta invisível, a menor distância entre a idéia e a ação efetiva”.
Kirk se permitiu um sorriso – Que os vilões vençam, então. E que os verdadeiros heróis possam, na devida ocasião, brilhar com mais força.
- Graças às sombras que hoje tecemos.
O chefe da Seção 31 se pôs de pé. Olhou para o relógio sobre uma mesinha de canto no escritório – Está tarde. Estas reuniões feitas aos sussurros nas madrugadas precisam acabar.
Gordon riu – Sim, talvez possamos fazê-las ao meio-dia, em praça pública.
- Não é má idéia. Homens da nossa idade precisam de sol. E é exatamente isso o que mais temos aqui em São Francisco.
- Fale por si mesmo, vovô. Só tenho oitenta, você já está nos… cento e cinqüenta?
- Parei de contar depois dos cem – Kirk já estava se encaminhando para fora da sala quando deu meia-volta – O filme demora a acabar?
- Como? – Por um momento, Gordon não entendeu a pergunta. Então, lembrou-se do pequeno documentário interrompido por Khan há pouco – Ah. Não, já está terminando.
Deu o comando, e o holovídeo voltou a funcionar.
… de Jason Nesmith; a intervenção na Crise dos Infinitos Planetas Martes; o primeiro contato com a Terra-Monstro da paralela 943 e o início de relações diplomáticas com o avançado mundo de Godzilla – entre outras.
Seja sob o comando de T’Mari ou de Benjamin Sisko, a poderosa nave sempre brilhou intensamente em meio às estrelas dos universos que visitou. Sua história, sendo escrita neste exato momento, é o testemunho da coragem infinita de seus tripulantes.
Para os homens e mulheres da Ariadne – e para todos nós que acompanhamos à distância seus feitos admiráveis –, o amanhã promete ser o melhor dos tempos.
CARLOS BITTENCOURT



