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Em outro universo altamente improvável…

SWINETREK

E agora, mais uma vez, é hora de…

PIGS IN SPACE!

Estrelando…

pis1O incongruente capitão Link Hogthrob…

pis2A recalcitrante comandante Miss Piggy…

pis3E o inexplicável dr. Julius Strangepork.

Da última vez que vimos nossos heróis, eles haviam acabado de escapar da ubíqua criatura-sopa de Caldo-Nebula XII. Agora, a rotunda e prateada espaçonave Swinetrek navega pela vastidão sem fim do espaço sideral…

Na ponte de comando, Link Hogthrob estava bastante inquieto.

- Aquela criatura-sopa me abriu o apetite.

- Capitão Link, nós acabamos de comer.

- Miss Piggy, não discuta com seu capitão. Vá preparar um prato de sopa para mim.

- Eu sou comandante. Eu não preparo sopa.

- A não ser que…

- A não ser que o quê?

- A não ser que…

- Essa é sua idéia de suspense?

- Calma. Ainda não achei nada plausível para dizer.

- Capitão! Capitão! Há uma luz vermelha piscando no console!

- É verdade. O que isso quer dizer, Dr. Strangepork?

- Não sei. Semana passada, aprendi tudo sobre a luz amarela. Ainda não estudei o capítulo sobre a luz vermelha.

- Hum. Espere um segundo. Acho que já sei o que ela significa. Miss Piggy?

- Sim, mon captain?

- A luz vermelha significa…

- Sim?

- … que é hora da sopa. Vá para a cozinha.

- Seu abobalhado. A luz vermelha não significa isso.

- Não fale assim com seu capitão.

- A luz vermelha informa que a nave acabou de ser invadida por um alienígena.

- Tem certeza? Pois acho que senhorita está apenas dando uma desculpa para… O quê?

- Ela tem razão, capitão! Meu manual de consulta rápida confirma!

- Oh, mon captain, o que faremos? Será o momento de entrarmos em pânico, Dr. Strangepork?

- Deixe-me ver… De acordo com o manual, só precisamos entrar em pânico quando o alienígena entrar na ponte de comando.

A porta que dá acesso à ponte se abriu.

- Permissão para entrar em pânico, senhor.

- Concedida, Miss Piggy.

* * *

Spock esperou pacientemente até que os porcos antropomórficos se acalmassem e parassem com a gritaria. Finalmente, os bizarros cosmonautas se cansaram.

- Quem são vocês?

A porca de cabelos loiros arregalou os olhos azuis.

- O alienígena fala!

A gritaria recomeçou. Spock se sentou e esperou mais uma vez.

* * *

- Muito bem, agora chega. Digam-me quem são e onde estou.

- Não responda, mon captain!

- Por que não, Miss Piggy?

- Pode ser um inimigo! Uma ameaça!

- Eu não sei… Olhando de perto, ele não me parece perigoso. Você é perigoso, alienígena?

- Não.

- Viu? Ele não é perigoso. O que acha, Dr. Strangepork?

- A luz vermelha parou de piscar. Deve ser um bom sinal.

- Não gosto das orelhas dele. Não me passam confiança, capitão.

Spock ergueu uma sobrancelha. Evidentemente, esta é uma daquelas infames paralelas improváveis que conspurcam o multiverso… Tais universos, regidos pelas leis da comédia e do absurdo, seriam anomalias na grande estrutura – ou, de acordo com algumas teorias menos aceitas, o contrapeso necessário aos severos e imutáveis princípios da realidade. Bender e Dot Matrix, tripulantes na USS Cassiopéia, são dois exemplares oriundos desses mundos excêntricos. Mais recentemente, a disparatada solarbonite, cuja existência foi implicitamente reconhecida por Galactus, ganhou o status de “arma improvável mais estapafúrdia do multiverso”.

A questão, o veterano oficial de ciências da Ariadne já se surpreendera pensando, seria se a geringonça caísse nas mãos do Ultradomínio…

- Muito bem. Antes, como capitão da Swinetrek, exijo saber quem é você e de onde veio, alienígena.

- Meu nome é Spock. Sou de Vulcano.

- Viu, Miss Piggy? Ele já nos disse como se chama. Agora, Spock Sou de Vulcano, diga-nos de onde é.

- Seu idiota. Ele já disse. É de Vulcano!

- Miss Piggy, por favor, não atrapalhe minha conversa com o alienígena. Isso é um trabalho para homens. Além do mais, onde está minha sopa?

- Pegue a sua sopa e…

- Pergunte a ele como chegou aqui, capitão.

- Bem pensado, Dr. Strangepork. Então, Spock Sou de Vulcano, como chegou à nossa nave?

- É uma longa história… – Recostou-se na cadeira, sentindo uma dor de cabeça medonha. Ser enviado para um universo de lógica extravagante não estava em seus planos – Mas tudo bem. Afinal, vou ficar aqui para sempre.

- Mesmo?

- Sim, capitão. Estou preso em seu universo até o fim dos tempos.

- E quando vai ser isso?

- O quê?

- O fim dos tempos?

- Ah… É só uma maneira de falar. Mas espero que seja logo.

- Um instante. “Preso em nosso universo”? Você não é daqui?

- Uma conclusão lógica, Strange… Pork.

Miss Piggy deu de ombros, suspirou e olhou para o alto, tudo ao mesmo tempo e de forma exagerada. Uma expressionista histérica, decidiu Spock. Poucas coisas o intrigavam mais.

- Era só o que faltava. Mais um exilado.

O vulcano se levantou da cadeira, surpreso.

- O que a senhora quis dizer com “mais um”?

- “Senhorita”.

- Hã… Certo. Minhas desculpas. O que a senhorita quis dizer com “mais um”?

- Há alguns meses, a Swinetrek encontrou seis sobreviventes de um planeta Terra assolado por mortos-vivos. Eles chegaram em nosso universo graças a uma nave chamada Coração de Ouro, operada por um robô e movida por um gerador de improbabilidade infinita.

Os olhos de Spock brilharam.

- Onde eles se encontram? A Coração de Ouro está intacta?

- Os sobreviventes estão em nossa Terra. Eles foram descontaminados e ficaram livres da possibilidade de se tornarem mortos-vivos graças à exposição aos efeitos do gerador de improbabilidade. A nave estava um pouco avariada, e foi conduzida para nossa estação em Pig Space Nine. O robô, um sujeito deprimido chamado Marvin, também está na estação.

- Por que o interesse, Spock Sou de Vulcano? – perguntou Hogthrob.

- Capitão… a Coração de Ouro pode significar minha passagem para fora daqui.

*

Se o fim dos tempos não vier, fique ligado para as vindouras aventuras de…

PIGS IN SPACE!

CARLOS BITTENCOURT